I Seminário do Livro, Leitura e Literatura

Nos dias 23 e 24 de abril acontece, no Teatro Arraial, o I Seminário do Livro, Leitura e Literatura. Discutindo temas relativos à cadeia produtiva do livro, aos espaços disponíveis na mídia para a literatura, financiamento e sustentabilidade, além de um debate sobre o conceito de bibliotecas, o evento propõe tocar em temas relevantes para o setor.

Serão três mesas em dois dias, e “o formato será de debate, com conversa entre os participantes e o público, buscando-se esse formato mais leve. São encontros com seriedade, mas imprimindo sempre um tom leve para aproximar o público da literatura”, explica Wellington de Melo, Coordenador de Literatura da Secult/PE.

A abertura será na segunda (23)  às 14h, com a mesa “Literatura, mídia e (in)visibilidade”, que contará com a presença de Rogério Pereira, editor do Jornal Rascunho (PR), um dos principais jornais literários em atividade no país, Eduardo César Maria, editor do programa de rádio Café Colombo e Schneider Carpeggiani, jornalista e editor do Suplemento Pernambuco. A mediação ficará por conta de Cristiano Ramos, professor de jornalismo e editor do blog NotaPE.

A terça-feira concentrará duas mesas: “Redes de leitura e sustentabilidade” e “Ressignificação do espaço das bibliotecas”, respectivamente às 9h e às 14h. A primeira mesa será mediada por Gabriel Santana, coordenador da Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede, e discutirá a sustentabilidade econômica da literatura e as ações voltadas à mediação e à formação de leituras, políticas públicas e inciativa privada. Para tanto haverá representantes do Ministério da Cultura, Funcultura e de um instituto social da iniciativa privada.

A última mesa promete esquentar um pouco o seminário com o tema do conceito e da ressignificação dos espaços das bibliotecas. “Espaços de silêncio ou de movimentação cultural?”: a indagação de Wellington de Melo dá uma pista das discussões que poderão surgir no fechamento do evento. Participarão da mesa Ester Calland de Sousa Rosa (Prof. adjunta do Centro de Educação, Universidade Federal de Pernambuco), Ana María Escurra (Coordenadora da ONG Bagulhadores do Mió e do Projeto Escola Leitora) e Shirley Cristina Lacerda Malta (Gerente de Políticas Educacionais da Educação Infantil e Ensino Fundamental -Secretaria de Educação de Pernambuco). Cida Fernandez, do Centro de Cultura Luiz Freire, mediará o debate.

Cultura: bom para pensar

O Seminário integra o programa “Cultura: bom para pensar”, idealizado pela Secretaria de Cultura de Pernambuco com o objetivo de promover fóruns democráticos, relativos a diferentes campos e linguagens. Este é o segundo da série, tendo sido precedido pelo I Seminário de Memória & Patrimônio Cultural – Sujeitos, Práticas e Políticas Públicas, realizado no final do mês de março. A ideia é que os temas continuem a ser discutidos no evento Clisertão – 1º Congresso Internacional do Livro, Leitura e Literatura no Sertão, que acontecerá em Petrolina, de 14 a 19 de maio.

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas previamente pelo e-mail literatura.secultpe@gmail.com
Mais informações: 3184-3166 (Coordenadoria de Literatura)

PROGRAMAÇÃO

Segunda-feira, 23/04
Mesa 1: Literatura, mídia e (in)visibilidade
14h às 17h

Nesta mesa, jornalistas e críticos literários discutem os espaços disponíveis hoje na mídia para o livro e a literatura, problematizando a pertinência de uma qualificação ou ampliação dos espaços impressos, digitais, radiofônicos ou televisivos que se dediquem ao universo das letras e fortaleçam o livro enquanto objeto simbólico. Destaca-se nessa mesa também a discussão sobre espaços de legitimação da obra literária na mídia e os desafios dos autores em dar visibilidade para sua obra.

Participantes:
Rogério Pereira (Editor do Jornal Rascunho / PR)
Eduardo Cesar Maia (Editor do Café Colombo / PE)
Schneider Carpeggiani (Editor do Suplemento Pernambuco/ PE) –

Mediação: Cristiano Ramos (Professor de jornalismo e editor do blog NotaPE)

Terça-feira, 24/04
Mesa 2: Redes de leitura e sustentabilidade
9h às 12h

Nesta mesa o foco da discussão são os meios de se criar redes de leitura dotadas de autonomia, numa perspectiva de sustentabilidade econômica. Serão apresentadas linhas de financiamento para ações voltadas à mediação de leitura e à formação de leitores no âmbito governamental e da iniciativa privada, bem como serão discutidas questões referentes à auto-gestão de bibliotecas comunitárias, trabalho colaborativo e propostas de políticas públicas para fortalecer o setor.

Participantes:
Roberto Azoubel (Assessor Técnico do Setor do Livro, Leitura e Literatura, Representação Regional do Ministério da Cultura)
Representante de Instituto Social da Iniciativa Privada
Emanuel Soares (Diretor do FUNCULTURA, Secretaria de Cultura)

Mediação: Gabriel Santana (Coordenador da Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede)

Mesa 3: Ressignificação do espaço das bibliotecas
14h às 17h

Discutir o papel que têm hoje as bibliotecas na sociedade brasileira e sua inter-relação com a cadeia criativa e o espaço escolar é o objetivo principal desta mesa. O debate apresentará diversos pontos de vista sobre o trabalho de mediação de leitura nas bibliotecas, desde propostas de intervenção nesses espaços, estudos realizados no âmbito acadêmico até relatos de experiências concretas com bibliotecas públicas.

Participantes:
Ester Calland de Sousa Rosa (Prof. Adjunta do Centro de Educação, Universidade Federal de Pernambuco)
Ana María Escurra (Coordenadora da ONG Bagulhadores do Mió e do Projeto Escola Leitora)
Shirley Cristina Lacerda Malta (Gerente de Políticas Educacionais da Educação Infantil e Ensino Fundamental,, Secretaria de Educação de Pernambuco)

Mediação: Cida Fernandez (Centro de Cultura Luiz Freire)

Fonte: Fundarpe

Encontro de escritores em Sertânia

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Amanhã rola, durante o Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão do Moxotó, o primeiro Encontro de Escritores em Sertânia. A proposta do evento é tanto trazer de volta autores que tem relação com a região do Moxotó, como Marcelino Freire, que vive desde 1991 em São Paulo, como estabelecer um encontro entre músicos que mantém uma relação forte com a literatura, com Silvério Pessoa e Lirinha, em outro contexto que não o dos palcos.

Participam do encontro nomes como Ésio Rafael, Wilson Freire, dois escritores ‘emigrantes’ de Sertânia que vivem em Recife há muitos anos; Josessandro Andrade, também de Sertânia e um dos grandes agitadores culturais da região; Luiz Pinheiro, outro sertanense que desenvolve um trabalho ligado ao cordel; Valéria Fagundes, natural de Manari e que protagonizou o documentário “Pro dia nascer feliz”, em que fala que escrevia e os professores imaginavam que estava copiando.

O encontro acontece na Academia das Cidades de Sertânia, um lugar público que relembra as ágoras antigas, em que os escritores poderão ter contato direto com o público. Se estiverem por lá, vale a pena conferir. Domingo, a partir das 18h.

Dos direitos do escritor

Miguel Sanches Neto

Por Miguel Sanches Neto

1.
Todo o escritor tem o direito de ser dono ao menos de suas manhãs.

2.
É facultado ao escritor o direito de não responder cartas, e-mails, telefonemas e flertes de moças bonitas.

3.
Todo escritor tem o direito de escrever à mão o seu desejo.

4.
O escritor não pertence a um estilo e não precisa saber combinar as peças de seu vestuário.

5.
O escritor nunca deve ser obrigado a lavar a louça depois do almoço, mas pode eventualmente preparar os drinques.

6.
O escritor é o adúltero legalizado; transa com todas as suas personagens no leito largo das palavras.

7.
Todo escritor só deve falar por escrito.

8.
Em seus textos, por mais ficcionais que sejam, o escritor não pode usar balas de festim.

9.
O escritor pode abater até 100% dos impostos pagos na forma de plágio.

10.
Mas como todo escritor é um escroto, ele deve pagar em dobro a taxa de esgoto.

11.
O escritor não precisa nunca se explicar, nem quando for flagrado completamente nu em um livro.

12.
O maior direito do escritor é o de nunca se endireitar.

Prêmio Off Flip no ar

Logo OFF FLIP

Inscrições abertas para o Prêmio OFF FLIP de Literatura

Estão abertas até 30 de abril as inscrições para a sétima edição do Prêmio OFF FLIP de Literatura. Criado em 2006 como parte da programação literária da OFF FLIP, o Prêmio oferecerá aos poetas e contistas vencedores R$ 11 mil no total, além de estadia em Paraty, ingressos para mesas de debate da FLIP e cota de livros da editora Record.

Os textos serão avaliados por escritores de expressão no cenário literário brasileiro e os 30 finalistas serão publicados em coletânea pelo Selo Off Flip. A premiação acontecerá entre 4 e 8 de julho paralelamente à Festa Literária Internacional de Paraty.

O regulamento pode ser lido no site do Prêmio: www.premio-offflip.net

A mulher e a poeta

Miguel Sanches Neto

Por Miguel Sanches Neto

Historiadora e prosadora, Ana Paula Tavares (Huíla, Angola, 1952) é também poeta e assume nesta última área o nome artístico de Paula Tavares, talvez para marcar uma diferença, insinuando ao leitor que são duas mulheres distintas em uma só. Este pequeno jogo aponta para questões mais profundas em sua produção poética, publicada na íntegra pela primeira vez no Brasil: Amargos como os Frutos: Poesia Reunida.

O seu território é o lirismo amoroso, em variações fragmentárias dos cantos de Sulamita, agora ambientados na África, o que lhe dá uma originalidade muito grande. Seu verbo vai deixando o espaço mais literário de Ritos de Passagem (1985), em que as construções poéticas são preponderantes, para incorporar progressivamente as vozes ancestrais. Mesmo neste seu primeiro livro, encontramos os frutos da terra, as temáticas tribais e uma presença modificante do corpo feminino, embora estes elementos tão caros à autora apareçam sob um olhar, digamos, mais estético, visível na própria forma dos poemas, com uma disposição gráfica que dialoga com a modernidade.

De O Lago da Lua (1999) até a última coletânea, Como Veias Finas na Terra (2010), o elemento étnico se faz mais denso e passamos a uma poesia que pertence, como linguagem, à poeta e, como voz, às mulheres africanas em geral. É neste sentido que a duplicidade se manifesta no interior da obra, conjugando as duas autoras nomeadas, a Ana Paula historiadora e a Paula poeta, uma escritora com um olhar focado nos produtos da literatura e outro nas tradições populares da África.

A sua poesia é, em inúmeras passagens, ritualística; ou seja, existe em consonância com uma concepção antropológica da palavra. Nenhuma imagem talvez seja mais forte do que a do sangue, não um sangue vertido em lutas, em guerras, ou, para dizer de outra forma, nos campos de combate essencialmente masculinos, mas o sangue da fêmea:

“No lago branco da lua / lavei meu primeiro sangue / Ao lago branco da lua / voltaria cada mês / para lavar / meu sangue eterno / a cada lua // No lago branco da lua / misturei meu sangue e barro branco…” (p.73)

O barro do Gênese e o sangue são metáforas da mesma ordem: da fertilização, dos inícios, da continuidade da vida. Esta vida de que fala Paula Tavares é dolorosa por conta das condições históricas de seu povo, tem um travo amargo, deixa marcas, suja a pessoa, daí a busca da água que tudo limpa.

As suas vozes femininas, tão doídas, acabam representando o próprio país. Esta equivalência faz com que as trajetórias das mulheres sejam uma metonímia da África. Como se a mulher fosse a pátria mais enraizada, por estar mais tragicamente vinculada à terra. Uma das tradições dramatizadas nestas vozes é a da jovem dada em casamento em troca de bois, numa relação de contiguidade da mulher e do animal sagrado. Daí vem a sua força telúrica, que a autora explora cifrando em um código poético: “Trouxe o canto / Não é claro, mãe / Mas tem os pássaros certos / Para seguir a queda dos dias / Entre o meu tempo e o teu” (p.168). Entre duas gerações, duas histórias femininas, a da terra e a da cultura, nasce esta poesia sob o signo do duplo.

Se a poeta diz que de onde ela vem, deste país mítico e histórico, “empresta-se o corpo à casa” (p.197), numa visão da mulher como morada, como eixo do mundo, podemos dizer que a sua poesia, marcada por uma denominação de origem, faz do corpo linguagem, onde se abrigam os ancestrais africanos e a cultura europeia adquirida, ponto de encontro do eu e do outro.

Serviço:

Amargos como os Frutos: Poesia Reunida, de Paula Tavares. Editora Pallas, 288 págs. R$ 47. Poemas.

Publicado originalmente na Gazeta do Povo

Júri da Granta escolhe autores em quatro horas

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Segue abaixo notícia publicada pela Publishnews falando sobre a seleção de autores que a Revisa Granta, publicada pela Alfaguara, fará de jovens autores brasileiros para a próxima edição especial. Claro que todo autor gostaria de estar nessa lista, dada a visibilidade que seu trabalho deverá ter a partir da publicação. Como poderão ver abaixo, depois de selecionar 20 entre 247 textos enviados para a seleção, os jurados decidiram tudo em 4 horas. Rápido, né? Tomara que tenhamos novidades na lista, e que não seja só uma seleção de comadres. Esperar agora!

PublishNews – 06/03/2012 – Roberta Campassi

Os vinte selecionados para ‘Os melhores jovens escritores brasileiros’ saberão do resultado um mês antes da publicação

Os sete jurados que selecionaram os 20 textos de um total de 247 para a edição Os melhores jovens escritores brasileiros, que a revista Granta lançará em julho, tinham reserva de dois dias no hotel Everest, no Rio de Janeiro, para deliberar. Ao que tudo indica, contudo, o encontro não rendeu grandes divergências: terminou em apenas quatro horas.

A edição da Granta será publicada durante a Flip (que vai de 4 a 8 de julho) e só nessa ocasião é que o público conhecerá os 20 escolhidos. Mas os autores selecionados podem aguardar um contato da revista no “fim de maio, começo de junho”, segundo Roberto Feith, diretor geral da Objetiva, que publica a Granta no Brasil. Ele explica que nessa época os textos estarão passando pela segunda revisão e o contato com os autores será necessário, porém feito sob acordo de confidencialidade.

A edição da prestigiosa revista literária é bastante aguardada. Ela também ganhará uma em inglês, em novembro deste ano, e em espanhol, no primeiro semestre de 2013, de forma a alçar em diversos países o nome de 20 talentos brasileiros com menos de 40 anos de idade. “A Granta na Inglaterra já está ativamente trabalhando no projeto de lançamento da edição em inglês”, conta Feith. A equipe inglesa também trabalha na elaboração da capa de Os melhores jovens escritores brasileiros, cuja primeira sugestão deve estar pronta da semana que vem.

Em 1983, a Granta, de origem inglesa, criou a primeira edição de Os melhores jovens escritores britânicos, que teve Julian Barnes, Kazuo Ishiguro, Ian McEwan e Salman Rushdie, entre outros, no rol de selecionados. Em 1993 e 2003, a revista publicou mais duas listas. Já a seleção de escritores americanos da Granta teve edições em 1996 e 2006, enquanto a edição dos melhores autores em língua espanhola aconteceu em 2010. As publicações têm como objetivo apontar os autores que devem despontar como inovadores e marcantes no cenário literário.

O júri para a seleção de autores brasileiros foi formado por Beatriz Bracher, Benjamin Moser, Cristovão Tezza, Italo Moriconi, Manuel da Costa Pinto, Marcelo Ferroni e Samuel Titan Jr.

Fonte: Publishnews

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Foto com Alguns direitos reservados por cfpereda

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